quarta-feira, 7 de maio de 2014

Deu pane: Voando em Céus Turbulentos

Veja também o outro post da série “Deu pane”: "Medo de voar é uma delícia!!!"

Apesar de não ter medo, confesso que não sou fã de montanha russa e que turbulências mais fortes durante os vôos me causam um profundo desconforto. Já passei por chacoalhadas das brabas, mas nada que supere o que passei numa decolagem em Montevidéu.
Antigo aeroporto de Carrasco, Montevidéu, Uruguai
Já faz bastante tempo que não vou à bela capital do Uruguai e certamente o aeroporto de Carrasco foi modernizado. Mas naquela época, não havia “finger” (esses “braços” que conectam os  portões de embarque do aeroporto ao avião) e tínhamos que embarcar no meio do pátio. Enquanto desfrutava das delícias da sala VIP, o céu desabou sobre o aeroporto numa tempestade daquelas que faria Noé sorrir!
Pegamos uma baita tempestade na decolagem
Com mais de meia hora de atraso, fomos chamados para o embarque. Ainda sob chuva, subimos no avião que tinha a porta da frente fechada. Na porta traseira, encontrei uma comissária com rôdo na mão, tentando tirar parte da piscina que tinha formado por ali durante a tempestade.
Não tem quem goste de enfrentar turbulência durante um vôo
Foi só decolar para encontrarmos aquela baita tempestade ainda durante a subida. E tome raio, trovão e sacolejo! Era subir um pouco, para o avião “descer” em um vácuo enorme! 

A gritaria a bordo, cada vez que surgia um vácuo desses, era simplesmente indescritível! Não gritei, mas confesso que minhas unhas estavam fortemente cravadas no braço da poltrona.
Chama isso de turbulência?! 25 anos de casamento é que é turbulência!!!
Foram minutos de verdadeiro pavor a bordo, até que o avião finalmente superasse a tempestade e chegasse à altitude de cruzeiro. Minutos depois o piloto, em sua fala aos passageiros, confessou que fazia bastante tempo que não passava por uma tempestades dessas. 

E o que fez o Edu? Virou pro lado e dormiu o sereno sono dos justos!
Agora podem relaxar... passamos por uma violenta turbulência!
Igualmente desconfortável é uma arremetida, quando você já está vendo a pista se aproximar! Além de desconfortável, deixa todo mundo com a pulga atrás da orelha. Afinal, ninguém informa o motivo da arremetida, concorda?!

A última dessas arremetidas foi recentemente em um pouso em Brasília. Já estávamos bem baixinho quando sentimos o motor voltar à potência máxima e voltarmos a subir.
Você se incomodaria em segurar a minha mão? A verdade é que morro de medo de voar!!!
Jamais soubemos a razão, daquela arremetida, mas o silêncio que se fez a bordo era tamanho que dava até para "ouvir" claramente o pensamento dos passageiros vizinhos!

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Grã-Bretanha – British Museum


Quem vai a Londres não deve deixar de visitar pelo menos dois de seus fantásticos museus: o British Museum e o Natural History Museum. E são de acesso gratuito, como tudo o que diz respeito à cultura deveria ser!
Átrio do Natural History Museum
O último, como seu próprio nome diz, trata de história natural. Ou seja, biologia, geologia, paleontologia, evolução, etc. Seu acervo é simplesmente fantástico. E fica aqui uma dica: chegue cedo (abre às 10:00) e vá direto visitar os dinossauros. Se deixar pra depois, enfrentará uma fila monstruosa, bem maior que vários dinossauros!!
Fila para ver os dinossauros!!!
O British Museum trata principalmente de história. Seu acervo com peças do Egito, Mesopotâmia, Pérsia e, principalmente, Grécia é simplesmente inacreditável. Há mais peças sobre a Grécia antiga... que na própria Grécia. Heim?!! Cuméquié?!! Mais peças que na Grécia?!!!
Baleias e outros mamíferos no National History Museum
Sim, infelizmente sim! Mais que na Grécia. E se falarmos de Mesopotâmia ou Pérsia, mais que no Iraque ou Irã. É óbvio que os países de origem lutam pela devolução das peças mais importantes... mas acho que é uma batalha perdida.
Majestoso e monumental cavalo que adornava a fabulosa tumba do Rei Mausolo, em Halicarnasso (hoje Turquia), uma das sete maravilhas do mundo antigo. Tão rica e gigantesca que vem daí o nome mausoléu
Deixa eu contar uma historinha e cada um faça o seu julgamento, uma vez que o tema é polêmico até hoje.

Na primeira década do século XIX, Lord Thomas Elgin era o embaixador britânico em Constantinopla, junto ao Império Otomano. Nessa época a Grécia não era um país independente, apenas uma mera província de um império dominado pelos turcos, rivais de longa data.
Leão que ornamentava o palácio de Nabucodonosor, em Nínive, na Babilônia (hoje Iraque)
Sabendo que muitas obras da Grécia antiga eram destruídas, ele conseguiu uma permissão especial para retirar TODAS as peças que tivessem inscrições ou imagens. Inexiste a versão original dessa autorização, apenas uma cópia da versão em italiano e há controvérsias sobre o texto original. Igualmente existem controvérsias sobre a real motivação de Lord Elgin com relação às peças de arte por ele retiradas.
Gigantesca cabeça de Amenophis III que ornamentava o Templo de Mut, em Tebas, Egito
Mas vamos por partes. O Império Otomano era considerado um dos mais decadentes e corruptos regimes daquela época. Além disso, não havia qualquer interesse, por parte dos otomanos, na preservação da memória de um povo que lhe era hostil. Mais que isso, inexistiam naquela época a ética dos tempos modernos ou até mesmo o conceito de se evitar a dilapidação das obras históricas. Também não é difícil imaginar, apesar de eu não ter qualquer informação a respeito, que a tal autoridade otomana tenha recebido algum “incentivo” de Lord Elgin, para dar a tal autorização ampla e irrestrita.
Painéis da caça ao leão, que ornamentavam um palácio assírio em Nínive, Babilônia
Resultado? Barcos (eu falei barcos, no plural) lotados de obras da Grécia antiga foram despachados para Londres. Entre elas estavam TODOS os frisos e esculturas que ornamentavam o Parthenon, belíssimo templo que encontramos na Acrópoles, em Atenas.
Monumento à Nereida, encontrado em Xanthos, Turquia
Quem visita hoje o Parthenon, encontra apenas o edifício... que (in)felizmente Lord Elgin não conseguiu levar. Para ver a majestosa decoração que o ornamentava, esse apreciador da Grécia antiga terá que ir a Londres e visitar o British Museum.
Um das dezenas de frisos retirados do Parthenon
O esforço financeiro de Lord Elgin foi tão grande, que ele foi à falência. Obviamente, uma de suas primeiras providências, ao retornar à Grã-Bretanha, foi vender tudo o que arrebatou ao governo britânico.
Friso que adornava o Parthenon
E ficam aqui algumas perguntas, que não são minhas, mas de defensores de ambos os lados dessa questão:

  • Lord Elgin foi um vândalo ou um salvador?
  • Qual era a sua real motivação? Financeira e pessoal, ou a de um indivíduo verdadeiramente desinteressado, apenas preocupado com o destino da arte?
  • A retirada das peças foi um saque, uma pilhagem à memória de um país?
  • Devem as peças retornar à Grécia, ao seu lugar de origem?
  • Se a Grécia quer as obras para coloca-las em um Museu, qual a diferença entre estarem em um museu na Grã-Bretanha, França, Alemanha ou Grécia?
  • Monumentos como o Parthenon pertencem culturalmente a um país ou à humanidade? E a Amazônia?!
  • Qual a melhor solução para o impasse?
  • E se fosse no Brasil, estaríamos nós cuidando adequadamente da preservação dessas relíquias? Estaria o Parthenon, aqui no Brasil, coberto de pichações?
Estátua grega

Há bons argumentos de ambos os lados e vale a pena ler este artigo editado pela BBC.

E você, o que pensa sobre o assunto?